Novo cenário: a gastronomia paraibana precisa adequar-se

A gastronomia paraibana tem sua origem no ciclo da cana-de-açúcar, um dos mais importantes e o mais prolongado ciclo econômico, que permaneceu por cinco séculos.

A cana-de-açúcar chegou ao Brasil no século XVI, pelos colonizadores portugueses. Nessa época, o uso do açúcar da cana na Europa se expandia, assim como os pequenos engenhos de rapadura e de cachaça, no Nordeste, que permaneceram de forma artesanal, até o século XX.

A influência do açúcar esteve presente na organização familiar, na arquitetura, na religião, na cultura e na culinária, rica e diferenciada, principalmente da região Nordeste.

Foto: Augusto Pessoa

A gastronomia paraibana faz parte dessa cultura, que inclui suas crenças, sua arte, seus hábitos adquiridos, sua herança social, o seu modo de vida.

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“O homem sem história, sem tradição, sem origem cultural, é um homem desterrado.”
– Fátima Quintas, antropóloga

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O amor pela cultura gera autoconhecimento, que por sua vez, gera pertencimento.

Portanto, a gastronomia é resultado da combinação dos ingredientes e da forma de cozinhar. A cozinha da casa-grande dos engenhos do ciclo do açúcar, foi um verdadeiro laboratório gastronômico, onde essa mistura dos ingredientes e dos utensílios da cozinha, tinham a influência das culturas europeia, africana e indígena.

Essa influência, é ainda presente, quando colocamos à mesa: o mocotó, o vatapá, os mingaus, pamonhas, canjicas, mungunzá, pão de ló, arroz doce, tapioca e beijus, a cartola, os bolos, quindins e os doces, compotas e geleias de frutas da terra, e a cocada, “o mais brasileiro dos doces”, assim dizia o sociólogo Gilberto Freyre.

Turismo

A gastronomia gera experiências no turismo, e agrega valor ao produto turístico, com a cultura do lugar, atendendo ao novo perfil do turista, que é conectado, rápido e exigente, bem informado, atento aos valores das empresas e quer se sentir um protagonista do destino visitado.

Foto: Phillip Zoggia

Comer bem tem a ver com a percepção da qualidade de consumo, cada vez mais inserida nos cardápios. Os consumidores estão dispostos a pagar por um serviço ecologicamente correto e saudável.

De acordo com pesquisa da Coke Solutions, 58% das pessoas decidem onde ir, não por preço, mas por valor agregado, e 44% querem mais informação sobre o que consomem.

Podemos concluir que, na gastronomia, o cliente não compra produto, mas compra qualidade, sabor, prazer, lazer, identidade, criatividade, inovação e segurança alimentar. Vários destinos turísticos estão se revelando a partir da gastronomia.

Experiência

Uma das medidas de competitividade cada vez mais usada pelas empresas é a experiência que o seu negócio proporciona aos clientes. Essa tendência faz parte da mudança de hábito do consumidor, que quer saber a origem dos ingredientes dos pratos, do campo à mesa. A comida tradicional resgata as origens e gera valor agregado ao serviço de alimentação fora do lar.

Foto: Augusto Pessoa

Na verdade, o consumidor considera mais importante na sua experiência, segundo pesquisa da Food Consulting: 72% segurança, 68% sabor, 52% atendimento, 50% apresentação, 47% preço.

Em geral, o cliente de alimentação fora do lar, nos dias atuais, busca inspiração, conhecimento, conveniência e autenticidade, ou seja, busca marcas que estão alinhadas com os seus valores e a sua identidade.

A gastronomia fortalece a identidade e a diversidade, contribuindo para o posicionamento de qualquer município, no cenário turístico regional e nacional.

Hoje já temos a Rota Gastronômica do Brejo Paraibano, unindo os municípios de Areia, Bananeiras e Guarabira, com os melhores empreendimentos de alimentação fora do lar, para se comer bem.

Em João Pessoa, temos a Rota das Cafeterias Criativas, onde a cultura agrega valor à experiência sensorial e personalizada do café.

Antes de 2010, as experiências do consumidor eram baseadas no contato presencial. Nos dias atuais, prevalecem o digital, o conhecimento e a personalização. Nos próximos anos teremos ambientes sem gargalos ou atritos, automatizados e sensoriais, possibilitando o melhor acesso.

Foto: Reprodução

Pesquisa da empresa Food Consulting informa que 52% dos consumidores comem fora de casa ou por delivery, 36% dos consumidores só comem fora de casa e 9,7% só por delivery.

Nunca é demais lembrar que, o seu principal patrimônio são os seus clientes. Portanto trate bem, treine e motive, os seus funcionários. São eles quem cuida do seu maior patrimônio. Cuide da imagem do seu estabelecimento e busque o seu diferencial. Fortaleça a sua relação de confiança com o consumidor. Atenda às novas prioridades do consumidor, sem perder a autenticidade.

Novo Cenário

Esse é o novo cenário, que a gastronomia paraibana precisa adequar-se. É importante estar no Instagram, no youtube, no Facebook, Whatsapp. Precisa aprender a fazer um vídeo de 1 minuto, com qualidade.  Aprender a contar história do que você é, do que você faz, para agregar valor ao seu negócio.

Tenha um site responsivo, que se adapta a qualquer dispositivo móvel. Dê ênfase aos festivais gastronômicos, como uma forma de atrair clientes e inovar cardápios.

Qualifique-se para a transformação digital. O mundo está em transformação e você precisa fazer parte dessa transformação, para melhor atender ao novo perfil do consumidor.

Aproveite! O momento é propício para investir!!


Regina Medeiros Amorim

Gestora de Turismo e Economia Criativa. Paraibana, sertaneja, natural de Santa Luzia. Em 1976 mudou-se para a capital paraibana. Viveu em Maceió (Al) de 1989 a 1999.  Radicada em João Pessoa desde 2000.

Trabalha no Sebrae da Paraíba. Mestre em Visão Territorial e Sustentável do Desenvolvimento, Pós-graduada em Gestão e Marketing do Turismo.

Facebook: https://www.facebook.com/regina.medeirosamorim

E-mail: reginaamorim1256@gmail.com

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